TESTE 2

8. “Um som bordão bordando o som, dedão, violação”

Era hora, pois, de trazer os problemas à tona, assumi-los e pensar sobre eles. Mas após tanto tempo no mundo da fantasia não apenas ficou definhada a capacidade de raciocinar, como se perdeu mesmo a vergonha de ofender a inteligência alheia.

Depois do jogo cheguei a rascunhar um artigo com o título, “enfim a razão”, supondo que diante das obviedades extraídas da partida não se teria mais lugar para fantasias.

Qual não foi a surpresa quando a comissão técnica veio a público para dizer que a preparação da seleção não teve nenhum erro e que no jogo com a Alemanha o que aconteceu foi apenas um apagão de 06 minutos, tendo sido o resultado final fruto do inexplicável e do acaso…

Neste instante fui invadido de extrema perplexidade e me lembrei de uma conversa que tive no começo desse ano com alguns alunos na Faculdade, quando falávamos sobre o quanto 2014 submeteria a nossa condição humana a testes extremos, isso porque já se podia verificar uma escalada da irracionalidade sobre diversos assuntos e diante da Copa e das eleições tal situação tenderia a se aprofundar.

Mas não foi só. Também o governo que se valeu da seleção e da Copa para abafar as mobilizações populares, passou a adotar uma postura de se desvincular do futebol, destacando apenas o seu papel de organizador do evento. Mas, para não perder a oportunidade de criar nova fantasia, exaltou a capacidade do povo brasileiro de superar a derrota: “Ser capaz de superar a derrota, eu acho que é a característica e marca de uma grande seleção e de um grande país”, disse a Presidenta, deixando a entender que as ausências de Neymar e Thiago Silva foram os fatores determinantes da derrota4.

E, deslocando-se, plenamente, do resultado, preconizou que a Copa foi uma “das melhores” já realizadas, “e isso é em grande parte devido à capacidade do povo brasileiro para oferecer hospitalidade e receber bem torcedores  de todo o mundo”5.

Ou seja, mesmo com o histórico 7 a 1, o que se verificou foi a produção de novas irracionalidades, desenvolvidas no mundo da fantasia, para gerar a sensação de que a goleada simplesmente não havia ocorrido ou que não estivesse ligada a algum problema na formação, preparação e treinamento da seleção.

9. “Naco de peru”

Convencida da própria versão e com o alimento retórico de “Dona Lúcia”, a comissão técnica, que não viu nenhum erro na atuação do Brasil e que foi prestigiada pela CBF, muito rapidamente recuperou o “alto astral”. Foi para o jogo contra a Holanda como se estivesse indo para uma festa cívica, alimentada por novas fantasias, como a de reintegrar o Neymar à delegação e até conduzi-lo ao banco de reservas, para atrair a simpatia do público.

Assim, a seleção brasileira entrou em campo contra a Holanda como se nada tivesse ocorrido e mesmo a torcida foi induzida a acreditar que as coisas voltariam à normalidade artificialmente construída, recuperando a esperança em torno da realização de uma partida técnica e plasticamente perfeita da seleção.

No entanto, conforme já denunciava o 7 a 1, a realidade era a de que seleção brasileira, independente da qualidade individual e da dedicação dos jogadores, no conjunto estava mal.

E a fantasia do futebol se rebelou novamente: 3 a 0.

10. “Sereno e pé no chão”

Com 10 a 1 na conta (somados os dois jogos) não é mais possível deixar de reconhecer que a própria fantasia está exigindo que se recobre a razão a partir de postulados da realidade e é preciso que isso se faça urgentemente, ainda que de forma serena, com pé no chão.

Por conta da derrota no futebol, não me parece devido fazer divagações acerca do caráter nacional, ou coisa que o valha, fazendo alusões a um suposto “complexo de vira-lata”. Talvez o mais apropriado seja tentar identificar os problemas das entidades responsáveis pela organização do futebol, que atingem outras instituições brasileiras, e para tanto cumpre dar destaque à leitura sociológica que aponta os efeitos negativos da ausência de uma revolução social. Lembre-se que sequer uma revolução burguesa em sua forma clássica se produziu entre nós, conferindo-nos um capitalismo dependente, que nega a existência da sociedade de classes e que está envolto em formas de conciliação com o passado6, gerando um legado de preservação e acúmulo de lógicas escravistas, oligárquicas e anti-democráticas, além de práticas de corolenismo, clientelismo e fisiologismo. Essa situação, aliás, teria conferido um caráter autocrático à burguesia brasileira e o apego a um liberalismo dissimulado, que se vale da estrutura repressiva de poder para manter as desigualdades e impor submissão e acomodamento diante das adversidades à classe dominada, à qual se apresenta apenas o refúgio e a retórica de identidade, assim como a “liberdade”, nos eventos festivas7, também como forma de abafar as tragédias cotidianas.

Isso não quer dizer que o povo tenha assistido a tudo bestializado8 ou também que não tenham havido no Brasil inúmeras lutas sociais, sobretudo no âmbito da classe trabalhadora, o que é suficiente, inclusive, para negar a suposta apatia do povo brasileiro, mas não a alienação, obviamente, que é típica no capitalismo. Essas lutas, ademais, têm se intensificado nos últimos anos, sobretudo a partir de junho do ano passado, fazendo com que, neste aspecto, o Brasil esteja bem melhor que a seleção.

Fato é que não dá para continuar vivendo na fantasia. Mas mesmo com o 10 a 1 sair dela não é um passo muito simples, como se possa supor. Após o 10 a 1, o indignado Mauro Cezar Pereira desabafou: “agora só falta alguém dizer que a campanha do Brasil foi a melhor desde 2002”. E como ressaltou o próprio jornalista em questão: “e não é que o Felipão disse isso!”

Essa forma de análise, que nega os fatos, é uma agressão à inteligência de todos e serve para, mais uma vez, mascarar a realidade, fazendo pouco caso da vida em si. Ora, a seleção brasileira, seguramente, embora tenha passado por Chile e Colômbia, teve uma das piores performances entre todas as equipes do campeonato, tendo batido várias marcas negativas…

E cabe aqui uma advertência, que considero muito importante: tratar do assunto Copa e da performance da seleção brasileira exige o cuidado de não se deixar reconduzir ao mundo da fantasia, ainda que se esteja buscando uma racionalidade interna.

Assim, o primeiro passo que se deve dar para sair das amarras da fantasia é devolver o futebol ao limite de sua importância. Não é mais possível sustentar uma nação sobre a fantasia do futebol. Futebol é bom e a gente gosta, como se dá, ademais, em diversos outros países, não sendo, pois, um privilégio, para o bem e para o mal, do Brasil. Mas essa história de que o Brasil é o país do futebol é um estereótipo que nega a sua própria razão de ser como nação. Aliás, a diversidade de nações, visualizadas em posições contrapostas, é um elemento cultural, político e econômico a ser superado.

É importante perceber, também, o quanto o futebol se tornou uma fonte de sustento do modelo capitalista, produzindo riquezas para alguns poucos e entretenimento entorpecente para tantos outros.

Claro que não se pode desprezar a força do futebol, até porque o resultado positivo em campo acaba sendo utilizado para reforçar fetiches e mascarar os problemas sociais, assim como o resultado negativo na Copa pode servir como alimento para superar os obstáculos ao raciocínio, somando-se, ainda, o quanto a postura política dos jogadores pode auxiliar nas mobilizações sociais, como se deu com o jogador Sócrates na campanha pela democratização do país.

11. “É sola, esfola, cola, é pau a pau”

No presente momento é de suma importância ter a capacidade de se afastar da fantasia da Copa. Temos, agora, a grande oportunidade de voltar à realidade na busca de, enfim, construir uma sociedade efetivamente justa.

Claro que o péssimo resultado futebolístico na Copa, que reflete problemas estruturais, impõe que se pense nas necessárias mudanças no futebol, que envolvem, também, o reconhecimento dos direitos dos atletas, a superação da lógica autoritária dos clubes, a fixação de uma concreta responsabilidade fiscal no setor, o respeito aos direitos dos consumidores etc. Mas o assunto principal que nos deve impulsionar neste momento não é este. Principalmente, não devemos nos limitar a esse debate, vez que isso apenas nos condenaria a viver na fantasia, alastrando-a até a outra Copa daqui a quatro anos.

Reitero: são importantes as reivindicações do Bom Senso Futebol Clube quanto aos direitos dos jogadores e à democratização da administração do futebol e é mesmo relevante a postura do Estado em estimular as práticas atléticas, tanto no futebol quanto em outros esportes. Mas essa não pode ser a prioridade brasileira neste instante. Ou, pelo menos não deve ser a única preocupação.

Ultrapassado o grande risco da supressão plena da racionalidade que o período da Copa representou, a prioridade agora só pode ser a do esforço concentrado – que o país tem condições de assumir, como se viu, afinal, no momento de preparação para a Copa – em torno da efetivação dos direitos sociais, sobretudo no que se refere à moradia, à educação pública e gratuita de qualidade, à saúde pública, ao transporte gratuito para todos, ao trabalho digno, ao acesso à cultura, acompanhada de uma política concreta de melhor distribuição da riqueza produzida e da ampliação e concretização das práticas democráticas, notadamente no que se refere à participação nos entes deliberativos e às formas públicas de reivindicação.

É preciso, além disso, ficar muito atento, pois neste período pós Copa há também o grande risco de se tentar manter a sociedade envolvida com as artificialidades da Copa, que podem até gerar novos gastos para a promoção de outros grandes eventos nos estádios que foram construídos exatamente para não incorrer na crítica da ausência de um legado com os estádios, dificultando e atrasando ainda mais a obra em torno daquilo que prioritariamente deve interessar à sociedade brasileira.

É emergencial, sobretudo, retomar a vigência do Estado Democrático de Direito, a começar pela libertação de todos os presos políticos, que foram conduzidos a tal situação durante o Estado de Exceção da Copa, valendo lembrar que o legado autoritário de 21 anos de ditadura ainda está estruturado em muitas de nossas instituições.

É essencial, também, reparar os danos já gerados a vários cidadãos brasileiros no período da preparação para a Copa, especialmente no que se refere às famílias removidas; às vítimas dos acidentes do trabalho e da pressão na execução das obras; aos trabalhadores ambulantes etc.

Aos trabalhadores em geral, enfim, cumpre que não permitir que se promova um aprofundamento dos erros já iniciados no momento de preparação para a Copa, sobretudo no que tange às deteriorações das condições de trabalho (com pressão para a realização dos serviços e intensificação do trabalho em horas extras), à negação ao direito de greve e ao incentivo à terceirização.

Nunca é demais lembrar que o governo federal, ao se ver envolvido com o desafio de organizar a Copa, acabou por se associar à FIFA (e suas parceiras econômicas) e como condição para a realização do evento se viu na contingência de patrocinar uma excepcionalidade na ordem jurídica constitucional, sobretudo em favor de alguns segmentos do setor econômico, do que se originou, inclusive, a malfadada “Lei Geral da Copa”.

Para a construção dos estádios em tempo recorde fez-se vista grossa à forma de atuação de empreiteiras no processo produtivo. Essa situação provocou um retrocesso na luta que vinha sendo travada contra a terceirização na construção civil, sendo bastante oportuno lembrar que as empreiteiras são grandes financiadoras de campanhas eleitorais, de diversos partidos políticos9.

Essa aproximação do governo com o setor econômico gerou uma conta, que está sendo paga com a adoção de uma política repressiva, institucional e midiaticamente organizada, contra o direito de greve, sendo seguida do anúncio de medidas de precarização das relações de trabalho, como forma de favorecer ao novo ciclo da “competitividade produtiva”, conforme anunciou a Presidenta Dilma10.

Na linha das iniciativas precarizantes projetam-se a ampliação da terceirização e o incentivo à negociação coletiva, além da instituição de formas não estatais de solução dos conflitos trabalhistas. É possível verificar esse direcionamento no Projeto de Lei recentemente apresentado pelo governo, que visa à criação do SUT – Sistema Único do Trabalho, no qual as figuras em questão ganham destaque.

No que tange à terceirização especificamente, o governo, diante da pressão sofrida pelo meio sindical, deixou de lado a defesa que vinha fazendo abertamente do Projeto de Lei. 4.330, que ampliava a terceirização, tendo sido a questão encampada pelo Supremo Tribunal Federal, que reconheceu, no Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 713211, a repercussão geral de um julgamento que envolve a definição acerca da amplitude jurídica do fenômeno econômico da terceirização.

Os trabalhadores, a Justiça do Trabalho e os defensores dos direitos dos trabalhadores em geral devem perceber o contexto de retração de direitos que foi iniciado no período de preparação para a Copa, que se reforçou durante o evento e que tende a se consolidar e até a se ampliar no momento posterior, que, ademais, está atrelado à preparação para as Olimpíadas de 2016. E já adiantando um debate necessário a respeito das Olimpíadas, cumpre registrar que após vários anos da definição de que o Brasil sediaria o evento, não se implementou uma política efetiva de formação de atletas, sendo os jovens brasileiros ainda conduzidos ao triste dilema entre estudar ou treinar, pois o esporte não está atrelado à educação, como se dá, por exemplo, nos Estados Unidos.

Voltando ao aspecto dos direitos trabalhistas, cumpre reconhecer que a triste realidade dos trabalhadores no Brasil não é uma novidade ou mesmo uma exclusividade determinada pela Copa, até porque o histórico brasileiro é o do desrespeito reiterado aos direitos trabalhistas e do massacre cultural à relevância desses direitos. Mas as circunstâncias atuais são preocupantes, visto que o entorpecimento favorecido pela Copa e pela proximidade das eleições tende a dificultar as compreensões sobre o fenômeno da precarização, obstando as ações de resistência.

Cumpre destacar que em infeliz coincidência, a precariedade das relações de trabalho conduziu o Brasil a outro quarto lugar. Esse quarto lugar, no entanto, envergonha muito mais do que o da Copa. De fato, o Brasil tornou-se o quarto país do mundo em número de acidentes fatais no trabalho11.

Interessante que os trabalhadores mais suscetíveis a acidentes são os motoristas, os agentes de segurança, os trabalhadores da construção civil e os trabalhadores rurais e as reformas jurídicas que estão sendo preconizadas direcionam-se, exatamente, para reforçar a precariedade nestes setores.

A terceirização é utilizada em larga escala nos serviços de segurança, na construção civil e no transporte e “segundo dados do Dieese, o risco de um empregado terceirizado morrer em decorrência de um acidente de trabalho é cinco vezes maior do que nos demais segmentos produtivos”12. A ampliação vislumbrada, ademais, faz supor que também o meio rural será atingido por uma terceirização mais intensa, valendo acrescentar que no meio rural a atuação da fiscalização do trabalho é bem menos efetiva.

Por oportuno, lembre-se que também tramita no Congresso Nacional um projeto de lei para revogar a lei que limitou a jornada de trabalho dos motoristas.

Outra conta cobrada pelo setor econômico foi a suspensão, já autorizada pelo Ministério do Trabalho, da aplicação da NR12, que regulamenta a forma das atividades produtivas com máquinas. Só que em 2013, “apenas 11 tipos de máquinas e equipamentos (como serras, prensas, tornos, frezadoras, laminadoras, calandras, máquina de embalar) provocaram 55.118 infortúnios, o que representa mais de 10% do total de 546.014 acidentes típicos comunicados pelas empresas no Brasil”13.

Essa tendência de precarização não é fantasia e caso se consolide anula por completo qualquer efeito benéfico que se queira vislumbrar com a realização da Copa, ainda mais quando se lembra de todos os problemas havidos na preparação para o evento. A situação é concreta e sem o entorpecente da Copa não se a pode eliminar com artificialismos retóricos. Assim, a única forma concreta para que o governo do Partido dos Trabalhadores não se veja relacionado a ela é vir a público rechaçá-la, assumindo uma política de rejeição a todas as formas de redução dos direitos trabalhistas e de repressão à mobilização de classe dos trabalhadores, indo, aliás, em sentido inverso, implementando as condições materiais necessárias para uma atuação efetiva da fiscalização do trabalho e impulsionando a adoção de novas formas jurídicas de proteção aos trabalhadores, notabilizando-se a co-gestão de empresas por seus empregados e a proibição de dispensas socialmente injustificadas, para falar de dois exemplos extraídos da realidade alemã.

O que não dá é que:

“…fique na banheira, ou jogue pra torcida
Feliz da vida!”

Notas

[1]. Os subtítulos foram extraídos da belíssima música, Linha de Passe, de João Bosco e Aldir Blanc, de 1979, como forma de prestar uma homenagem aos protagonistas do programa Linha de Passe da ESPN Brasil, por terem trazido racionalidade ao obscurantismo da Copa, e também para lembrar que o Brasil é bem mais que futebol.

[2]. http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/07/1484968-dilma-diz-que-seu-governo-sera-marcado-pelo-investimento-em-infraestrutura.shtml

[3]. http://www.bahianoticias.com.br/noticia/157170-empresas-responsaveis-por-viaduto-que-desabou-em-bh-participam-de-obras-de-ferrovia-na-bahia.html

[4]. http://g1.globo.com/politica/noticia/2014/07/dilma-diz-que-brasil-vai-superar-dor-relata-jornalista-da-cnn-no-twitter.html

[5]. http://g1.globo.com/politica/noticia/2014/07/dilma-diz-que-brasil-vai-superar-dor-relata-jornalista-da-cnn-no-twitter.html

[6]. FERNANDES, Florestan. A revolução burguesa no Brasil: ensaios de interpretação sociológica. São Paulo: Ed. Globo, 2006.

[7]. CARVALHO, José Murilo de. Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

[8]. CARVALHO, José Murilo de. Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

[9]. A empresa envolvida no desabamento do viaduto em Belo Horizonte, Construtora Cowan S/A, repassou R$ 2,8 milhões para campanhas eleições em 2012, ocupando a 73ª posição em relação às empresas que mais doaram para campanhas eleitorais naquele ano. A lista de doações é liderada pela Andrade Gutierrez (R$ 81,2 milhões), Queiroz Galvão (R$ 52,1 milhões) e OAS S.A. (R$ 44,1 milhões).http://www.contasabertas.com.br/website/arquivos/8943#sthash.qpqYf2fw.dpuf.

[10]. http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/07/1484968-dilma-diz-que-seu-governo-sera-marcado-pelo-investimento-em-infraestrutura.shtml

[11]. http://www.conjur.com.br/2014-jul-04/brasil-quarto-pais-numero-acidentes-fatais-trabalho

[12]. http://www.conjur.com.br/2014-jul-04/brasil-quarto-pais-numero-acidentes-fatais-trabalho

[13]. Cf. Alessandro da Silva e Vitor Araújo Filgueiras, in:http://reporterbrasil.org.br/2014/07/mais-de-55-mil-trabalhadores-sofreram-acidentes-com-maquinas-em-2013/

TESTE

No dia 23 de junho, Fábio Hideki Harano, um cidadão brasileiro que tem emprego fixo – ele é empregado público na Universidade de São Paulo, onde também segue o curso de ciências sociais – foi preso sob a acusação de porte de explosivos e “associação criminosa”, tendo sido acusado, também, de ser um “black bloc”.

Apesar de todas as evidências negarem as acusações (estava sozinho em escadaria de estação do metrô quando foi preso; no ato da prisão não foi apresentado qualquer artefato explosivo que estivesse em sua mochila), Fábio foi preso “em flagrante delito” e depois, mediante decisão judicial que autorizou a prisão preventiva até o julgamento, que não tem data para ocorrer, foi transferido para o presídio de Tremembé, onde se encontram criminosos considerados de grande periculosidade.

A prisão de Fábio se deu no contexto da repressão às manifestações que propunham aproveitar a visibilidade da Copa para questionar os problemas ligados à preparação para o evento, tendo sido utilizada como forma de impedir que tais manifestações ocorressem, valendo lembrar que a atuação da Polícia em São Paulo, no dia 12 de junho, dia da abertura do mundial, se deu de forma violenta, chegando mesmo a proibir que uma manifestação fosse iniciada.

O fato concreto é que Fábio ainda está preso por uma opção política de sufocar o direito de manifestação, tendo como pretexto a viabilização da realização sem transtornos da Copa do Mundo da Fifa 2014.